quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A única água que me mata a sede 
é a que escorre no teu rosto.
Chora, que venha um rio, mar, 
um oceano de dores salgadas. 
E cada dor, por mais profunda e sombria que seja, 
melhor me fará. 
Quero tomar o gosto das tuas desventuras
e saborear, gota a gota,
toda a angústia que expeles.
Alimenta-me.
Nesse triste lamento serei feliz.
Então chora,
e beberei, da tua face,
um resquício da minha dor.

Nada mais tens para me dar.

Ela

Há sempre alguém que te encontra e te faz reencontrar. Há sempre alguém que te devolve. Ela chega não sabes como e diz não sei bem o quê. A única certeza que tens é a de que te conquistou. Aí percebes que o vazio se foi, a dor adormeceu e o corpo volta a querer. É ela que te quer, que te deseja, por tudo o que encontrou em ti e que tu julgavas estar perdido. Por que é ela? Não sabes explicar, só sentir. O porquê de seres tu? Não percebes, ela não sabe justificar, apenas sentir. E o teu mundo, que parecia grande demais para ti, de repente, vira pequeno demais para os dois. Não importa o quanto tens de palmilhar até estares ao seu lado, nada será tão distante quanto o que tiveste de percorrer até encontrá-la. E assim voltas a confiar num coração, num rosto, num amor. É ela, quem diria que seria ela... Aconteceu, não sabes bem como, mas sabes porquê: É ela.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Por trás de um grande homem há sempre um grande amor

Por trás de um grande homem há sempre um grande amor. E engana-se quem pensa que um homem não ama nem tão pouco sabe amar. Ninguém ama como ele, ninguém se entrega como ele o faz. Em tempos, disseram-me que um dia, quando crescesse, iria provar o doce veneno de uma mulher. Iria saber como elas se movem entre o certo e o errado, entre o querer e o tolerar, o aceitar e o dispensar. Nunca me prometeram um amor feminino eterno, assolapado, recheado de loucuras cinematográficas. Os anos passaram e a vida ensinou-me: a mulher não ama assim. O seu amor tem prazo temporal, é medido e ponderado. Quando ela gosta é porque te aprovou num pensamento prévio calculado, recheado de escalas, comparações e equações. Se te deixa entrar no seu mundo é porque superaste o esquema dos prós e contras. Então, aí, serás bem-vindo, pé ante pé, cuidadosamente, sem grandes planos ou intenções. E, nesse projecto custoso e demorado, ela faz parecer que percorre um mundo por ti. Tu orgulhas-te e os teus olhos cintilam. Chegas mesmo a acreditar que ela move montanhas, ultrapassa oceanos e desventuras só para te ter ao lado. E aqui se vê a imensidão do amor de um homem. Ele ama a sério, fazendo o impossível ser possível com a maior das simplicidades, louco de amor e verdade. Ele não enfatiza o que faz, apenas o que sente. E ela nem liga, afinal de contas, para merecê-la tem mesmo de saltar muralhas, derrotar exércitos e conquistar o lugar mais importante do mundo: o seu coração. E como idiota ele é, quando acredita que ela enfrentou o mundo para estar ao seu lado, quando tudo o que fez foi dar dois passos e convencê-lo de que podia ter ido por qualquer outro caminho, mas está ali. Ainda que nada tenha custado, irá mostrar-lhe que ultrapassou tempestades por cada momento a dois. Certo e sabido, mas ainda assim ele acredita. E o homem, com todo o amor do mundo para lhe entregar, ali fica, pintando-lhe traços diferenciadores das demais, achando-a a mulher perfeita para proteger durante uma vida. Enquanto isso, ela concede-lhe mais um dia. Um dia de cada vez. 
E assim se ama. O homem ama porque a mulher quer, é porque ela concorda que ele seja, e está lá enquanto ela o permitir. O amor de um homem é desmedido, o dela é moderado. No fim, o amor acaba. Ele destroça-se, ela renasce...