segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ao frio

"Não me esqueças", gritei todas as noites, deitado numa cama fria por não te ter. Os pés gelados contrastavam com o meu coração, ainda a viver do teu calor, da recordação que dispunha e que recusava perder. Enquanto te lembrasses de mim eu sabia que o calor manter-me-ia vivo, capaz de sonhar. Os dias e as noites foram passando, sem sinal de ti, apenas recordação. O teu rosto, de traços baços e indefinidos, ainda continuava a ser o mais bonito, aquele que eu via em todas as caras de qualquer rua. Mas as noites vieram, foram-se e a cama continuou fria. Os pés, as mãos e o coração arrefeceram pouco a pouco, cada vez mais. Já não podia correr atrás de ti, o frio que deixaste não o permitia. Os dedos não mais estavam aptos a tocar-te e o coração que não vê começa a deixar de sentir... O teu rosto ficou abstracto e a tua lembrança começou a ser residual. O tempo passou e a cama estava fria demais para poder receber calor. Não mais terias lugar em mim. Esqueci-te, enquanto esperei ao frio, tentando pedir-te calor.

Sem comentários:

Enviar um comentário