quinta-feira, 24 de julho de 2014

O soldado da vida.

A vida é uma guerra. Não duvides disso, nunca. Olhas-te ao espelho e vês-te sem capacete, arma ou armadura. És um soldado raso ao qual a vida trata de dar batalhas duras e destruidoras. Bem-vindo à vida. À guerra, melhor dizendo. A guerra vem de onde menos se espera, quando menos se espera e de quem pensas ser aliado. Só assim se justifica dares o peito às balas, enfrentares um mundo em chamas e resgatares os teus ideais. Não penses que a guerra acaba de um dia para o outro, apenas com uma frase ou um mero acto. O fogo teima em não cessar, os destroços levam o seu tempo a serem retirados do campo de batalha e as feridas custam a sarar. Enquanto tiveres coração sentirás medo. Quem vai à guerra não sai incólume, sem marcas, cicatrizes, sangue ou mutilações. A marca indelével que nem o tempo apaga. Ela preenche páginas da tua história e dá-te lições para a vida.
Quem faz guerra e sai ileso tem um nome e não é soldado. O soldado luta pela paz que tanto lhe custou a ganhar. E se a paz que conquistaste foi tirada, vai, luta, predispõe-te a dar a vida por ela. Um dia hás-de ganhar. Mas lembra-te, a guerra não acaba calmamente. Os fantasmas recusam-se a desaparecer e as vozes que se ouvem teimam em não se calar. Quem luta, resiste e sobrevive é herói, o oposto de quem tira a paz repentinamente. E na guerra, como na vida, quem mata pelas costas é cobarde.

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