quinta-feira, 5 de junho de 2014

Perco-me

Adeus. Despeço-me de ti e da vida que conheço. Quero sair, libertar-me das amarras que me prendem e da inércia que me sufoca. O mundo é grande demais para vivê-lo em esforço, a vida é curta demais para deixar tudo para amanhã. Sinto a efemeridade dos dias mas vivo de amor, e quem ama é eterno. Vou pegar no coração, metê-lo às costas e amar em parte incerta. Vou dar a conhecer o que sou e aprender algo com outros corações. O mundo é pequeno demais para viver com o que sinto, o peito de um homem é grande demais para viver apenas um amor. A rua do mundo acolhe-me, a cama de outra mulher conquista-me. Deixei para trás a casa, o lar, a monotonia e a solidão. Perco-me na rua, no movimento, noutros braços, em lençóis de seda e perfume de ilusão.
Sou homem livre, de escolhas sem fim. Sou dono da incerteza que me assusta, de toda a vida que trago em mim. Perco-me em aventuras,  na esperança de me encontrar num (outro) imperfeito coração.

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