segunda-feira, 26 de maio de 2014

Para sempre um obrigado

Entrei e sorri por obrigação. Sentei-me ao teu lado e agarrei-te a mão para sentires o frio que continha, o gelo que as minhas palavras iriam espalhar. Olhaste-me ainda com o olhar terno, que sempre me habituaste a ver. Por dentro chorava, não merecias a bomba que iria soltar, muito menos a bagunça em que te irias tornar. Engoli o peso da decisão, a irreversibilidade da palavra e a aceitação de toda e qualquer revolta. A minha era interior, por te conhecer tão bem, por saber o quanto vales e és. És o Homem da minha vida, o Príncipe encantado que eu e todas as mulheres sonhámos um dia encontrar. Talvez por idiotice, por te ter vivido tempo demais, por todos os mimos e todas as vontades que sempre me satisfizeste, decido partir. Hoje estou decidida a abandonar o castelo de encantar, deixar-te para trás e fugir, numa correria sem fim, perdida no bosque, entre árvores cerradas e barulhos sombrios. Preciso de enfrentar a escuridão sozinha, encontrar uma saída no meio das trevas. 
Sei que abandonarei esta casa por aquela porta, mas nunca sairei do teu coração. Conheço-te bem, sei o tipo de homem que és. Quando amas, amas para sempre, quando és, és de corpo inteiro, mas quando sofres, cortas de vez qualquer sentimento maligno, que te faça espernear em agonia e chorar de dor. Apagarás o amor, mas guardar-me-ás em lembrança.
Estou aqui ao teu lado, pronta a acabar com o sentido da tua vida, mas estou aqui pelo respeito que mereces, e por tudo o que sempre representarás em mim. Não me procures, gosto o suficiente de ti para não te querer ver naquele bosque. Serás sempre o rosto que guardarei quando ouvir falar em respeito, serás sempre o rosto do qual me lembrarei quando ouvir falar em amor. Mas agora, o bosque espera-me, é por lá que andarei, até encontrar o caminho certo, o meu caminho para (outra) casa.

Para sempre um obrigado.

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