domingo, 25 de maio de 2014

Apenas "sim"

Entro porta adentro e mostro-te o que te comprei, com toda a vontade que me move, com toda a alegria que me consome e com toda a insegurança que me caracteriza. Espera, talvez mereças algo melhor, digno de um filme romântico. Não quero usar o champanhe ou a comida como meio de entrega. A surpresa é requintada demais, vale muito mais que tudo isso. Quero algo meu, genuíno, não cópias de outros amores. Quero algo simples, prático e eficaz. Algo que dentro da simplicidade, permaneça para sempre fresco na nossa memória, como a decisão mais importante da nossa vida, como o momento em que os astros se alinharam e tudo fez sentido. Pretendo falar-te pouco mas dizer-te muito. Estou disposto a enfrentar a mais humilhante das figuras, ainda que pretenda manter a postura que o momento merece. Um amo-te é tão pouco... mas pesa muito. Talvez um amo-te chegue para entenderes, mas nunca será suficiente para me explicar. Quem sabe eu me ajoelhe, talvez te beije os pés, os joelhos, a barriga, as mãos, o pescoço, a boca e a testa... Pára! Compro o anel, levo-te a jantar, ao cinema e depois, em casa, ao som da nossa música, peço-te a mão, o coração, a alma, toda a tua vida para mim. Com um mero "sim" serás minha e entrego-te tudo o que sou. É essa simbiose que este anel representa e que eu pretendo. Uma relação de tal modo íntima que se torna indissociável. Mas...
Em breve teremos almoço de família. Talvez aguarde e te peça aí, em família, à frente de todos. Será inicialmente muito constrangedor, é verdade, contudo será fantástico ver a alegria partilhada por todos os que amamos. Não sei se te peço já a mão, talvez não. Não por falta de vontade, apenas por hesitação quanto ao momento certo. Que nunca deixe passar o momento. Sei que tudo tem o devido tempo para acontecer, mas o tempo é uno e será nosso. Será que deva ir agora ter contigo, levar-te a ver o mar, a sentires a areia e, ao som das ondas, pedir-te todo o tempo que nos resta para viver? Talvez não seja o sítio ideal para isso, talvez queiras algo mais clássico. Tudo bem, amanhã penso qual será a melhor solução.
Calma, respira, amanhã decides, ou depois. Que cobardia, que vacilo na hora de me tornar homem. Tu deixas-me assim, nervoso, baralhado, hesitante, inseguro. Parece que te quero beijar pela primeira vez! Não sei como terei coragem para isto, não sei como te pedir uma eternidade, mas por favor, diz-me que sim!


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