domingo, 30 de março de 2014

Hoje senti-te minha mas há muito que já sou teu

Agarrei-te e puxei-te por um braço. Agora, analisando a frio, talvez tenha sido demasiado impiedoso, másculo e bruto. Mas agarrei-te pelo braço para trazer-te até mim, para sentires a firmeza que as minhas palavras teimavam em não demonstrar. Eu suei, gaguejei e esqueci-me de todas as frases decoradas, planeadas e devidamente treinadas. Só uma coisa não foi ensaiada: aquele maldito agarrar do teu braço. Para te ser sincero, o meu corpo desejava tocar-te mas a minha cabeça bloqueava qualquer tentativa de aproximação - perfeito embaraço. Se o agarrão foi agressivo, mais uma vez desculpa. O que se seguiu foi do mais puro e genuíno que podias encontrar. Os meus lábios tocaram nos teus de um modo suave, tão delicado que tive medo de não sentires o sabor do meu beijo. Mas sentiste, sei que sim. O teu braço, outrora agarrado, rapidamente se libertou das minhas amarras e ambos cercaram o meu pescoço. Estavas em modo predadora e sabia que não tinha hipóteses de escapar. Provei do teu veneno e acredita, amor, estou morto de desejo por mais e mais. Hoje senti-te minha mas há muito que já sou teu.

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