domingo, 30 de março de 2014

A dor da ausência e a tormenta da omnipresença

A noite caiu, o corpo cedeu e deitou-se naquele que era o nosso ninho. De repente, a minha cabeça lembra-se de te recordar. O travesseiro presenteia-me com o teu cheiro, tão teu, tão viciante. Os meus olhos, fechados, vêem cada traço do teu rosto a rir-se para mim, como tantas vezes o fizeste, como sempre te levei a fazê-lo. Pelo meu corpo sinto um formigueiro ligeiro, como se do teu toque suave se tratasse. Juro-te que sinto aquelas cócegas embaraçosas ao receber os teus beijos na minha barriga - sempre foi ponto fraco. O corpo estremece e a alma rejubila. Sinto-te aqui tão perto e deixo-me levar pelo encantamento da lembrança. Mas, espera, isto não é real, não é correcto e não é saudável. Na verdade, tu já não és aquela que se deita a meu lado, nem estás interessada em beijar-me e percorrer cada bocado do meu corpo com a ponta dos teus dedos ou com os teus suaves e encarnados lábios. Não podes ser recordação tão presente e, custe o que custar, terás de sair definitivamente de mim. Viro-me para o lado com o coração a mil. Sinto-me perdido, ferido de morte e, ainda que a medo, expulso-te de mim sob a forma de uma lágrima.

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